Lembro-me de não ter conseguido dormir aquela noite. Perguntei a um amigo peruano que conheci na cidade, se ele gostaria de passar a madrugada comigo. Minutos depois, ele apareceu.
Faltava pouco menos de 8 (oito) horas para eu voltar ao Brasil. Eu queria sair, me divertir, ir a balada, fazer meu último suspiro em território argentino até que eu retorna-se de novo. Mi Buenos Aires querido, como vou sentir falta. Falta que, sinceramente, eu não senti do Brasil.
Joan, meu amigo peruano, chegou no apartamento e ficamos conversando, ou melhor, tentando conversar, meu espanhol ainda não era nada bom. O único jeito de comunicação era o meu terrível "portunhol".
O Joan mora na Argentina há 1 (um) ano, estuda e trabalha lá, e tampouco pretende retornar ao Peru. Quando eu falo que Buenos Aires é um mar de possibilidades, eu não estou mentindo. Milhares de estrangeiros chegam na cidade em busca de novos horizontes, seja para fazer uma graduação, ou começar a ganhar seu dinheiro. (O que sinceramente, com a desvalorização da moeda local, não acho esse plano uma grande vantagem!)
A graduação na Argentina é bastante conceituada, o metodo de ingreso usado pelas faculdades argentinas são diferentes do Brasil. Não precisa fazer vestibular. Qualquer pessoa com segundo grau completo, tem direito de cursar uma faculdade. Basta apenas se matricular. Algumas universidades, como a UBA, a única federal de Buenos Aires, adotam um curso de ingreso, o da UBA tem duração de 1 (um) ano, e testa o aluno durante todo esse período. Eu acho totalmente DIGNO, porque só ingressam no determinado curso aquelas pessoas que se mostraram aptas a profissão. Definitivamente, a educação desse país dá de 10 a 0 no Brasil.
Mudei totalmente de assunto.
O dia estava amanhecendo, eu e Joan formos caminhando pelo bairro até o apartamento dele. Foi uma despedida. Voltei ao meu apartamento, e arrumei minhas malas. - Algo está faltando? Acho que não. Me despedi do Gabriel, que me levou até a porta para eu pegar um taxi. Os outros rapazes estavam dormindo.
No Taxi fiquei conversando "portunhol" com o motorista, ele estava perguntando se tinha gostado de Buenos Aires, e dizendo que adora o clima brasileiro. Paguei, e entrei no aeroporto. Surpreendido por uma taxa de despache de mala na hora, entreguei a última nota de 100 pesos da carteira.
Foram 3 (três) aviões até eu chegar em minha cidade. Minha mãe e meu irmão me esperaram no aeroporto.
Eu não vejo a hora de retornar para a Argentina, dessa vez para sempre. Eu sou apenas mais um desses estrangeiros em busca de novos horizontes.
 |
| Casa Rosada - Outubro/2010 |